# Páginas de serviço na advocacia: como explicar sua atuação sem parecer genérico ou mercantilista

Explicar o que se faz é, para um advogado, uma tarefa mais difícil do que parece. As páginas de serviço de um site de advocacia, aquelas que descrevem as áreas de atuação e o que o advogado oferece, enfrentam um problema que tem duas faces, e que aprisiona muitos advogados entre dois extremos igualmente insatisfatórios. De um lado, está o risco do genérico, em que a descrição do serviço é tão vaga e tão parecida com a de qualquer outro advogado que não comunica nada de distintivo. De outro, está o risco do mercantilista, em que a descrição apela para uma linguagem de venda que destoa da seriedade da advocacia e que esbarra nos limites éticos da profissão. Entre esses dois extremos há uma linha estreita, e encontrá-la é o desafio das páginas de serviço.

O risco do genérico decorre da dificuldade de comunicar serviços jurídicos de forma distintiva. Os serviços jurídicos são, em grande medida, semelhantes entre os advogados que atuam na mesma área, e descrevê-los tende a produzir textos parecidos, que poderiam servir a qualquer um. A descrição genérica não está errada, mas é inútil, porque não comunica o que distingue aquele advogado, deixando o visitante sem elementos para entender por que escolheria aquele profissional em vez de outro. O risco do mercantilista, por sua vez, decorre da tentativa de escapar do genérico através de apelos de venda, que tentam tornar a descrição atraente com promessas, superlativos e linguagem persuasiva. Esses apelos escapam do genérico, mas caem no mercantilista, que destoa da advocacia e que levanta questões éticas, porque a publicidade na advocacia está sujeita a limites que a linguagem mercantilista costuma ultrapassar.

A tese deste texto é que explicar a atuação na advocacia exige encontrar uma linguagem que escape tanto do genérico quanto do mercantilista, e que essa linguagem se constrói pela clareza responsável, que comunica o que distingue o advogado sem recorrer a apelos de venda. A solução para o dilema das páginas de serviço não está em escolher entre o genérico e o mercantilista, mas em encontrar a terceira via da clareza responsável, que diferencia sem vender, que comunica com precisão sem prometer, que respeita tanto a inteligência do visitante quanto os limites éticos da profissão. Compreender essa terceira via é o que permite escrever páginas de serviço que cumprem a sua função sem cair em nenhum dos dois extremos.

Por que o genérico não comunica

O genérico é o destino natural das páginas de serviço que não se esforçam para escapar dele, e ele falha por uma razão simples, que é a de que não comunica nada de distintivo. Uma descrição genérica de um serviço jurídico poderia servir a qualquer advogado que atue naquela área, porque ela descreve o serviço em termos tão amplos e tão padronizados que não captura nada do que distingue aquele profissional específico. O visitante que lê uma descrição genérica não fica sabendo por que escolheria aquele advogado, porque a descrição não lhe oferece nenhum elemento distintivo, nenhuma razão para preferir aquele profissional. A descrição genérica, assim, falha na sua função, porque a função de uma página de serviço é comunicar o que o advogado oferece de modo que o visitante compreenda por que aquele profissional é o adequado à sua necessidade.

O genérico tem uma origem que vale compreender, porque ela aponta para a solução. Ele decorre da descrição do serviço em si, em vez da descrição da forma como o advogado o presta. Os serviços jurídicos são semelhantes, mas a forma como cada advogado os presta, o seu método, a sua abordagem, a sua perspectiva, é específica. Quando a página descreve o serviço em si, cai no genérico, porque o serviço em si é semelhante entre os advogados. Quando a página descreve a forma como o advogado presta o serviço, escapa do genérico, porque a forma é específica. A diferença entre o genérico e o distintivo está, portanto, em descrever não apenas o que se faz, que é semelhante, mas como se faz, que é específico, e essa mudança de foco é o que permite escapar do genérico sem cair no mercantilista.

Escapar do genérico não exige, portanto, apelos de venda, mas uma descrição mais precisa e mais específica da forma de atuação. Um advogado que descreve a sua abordagem, o seu método, a sua perspectiva sobre os problemas que trata, a forma como conduz os casos, comunica algo distintivo sem precisar recorrer a promessas ou superlativos. Essa descrição específica da forma de atuação é o que diferencia o advogado de modo legítimo, oferecendo ao visitante elementos reais para compreender o que aquele profissional tem de distintivo. A especificidade da descrição, focada na forma de atuação, é a primeira chave para escapar do genérico, e ela o faz sem nenhum apelo mercantilista, apenas com uma descrição mais precisa e mais honesta do que o advogado efetivamente faz e de como o faz.

Por que o mercantilista prejudica

O mercantilista é o extremo oposto do genérico, e ele prejudica por razões que vão além da estética. A linguagem mercantilista, com suas promessas, seus superlativos e seus apelos de venda, prejudica, em primeiro lugar, porque destoa da natureza da advocacia. A advocacia é uma atividade séria, que lida com problemas relevantes na vida das pessoas, e a linguagem de venda, com a sua leveza promocional, destoa dessa seriedade, transmitindo uma impressão de superficialidade que mina a confiança em vez de construí-la. O visitante que busca um advogado para um problema sério não se tranquiliza com uma linguagem promocional, mas com uma linguagem séria, e a linguagem mercantilista, ao trair a seriedade esperada, prejudica a confiança que pretendia conquistar.

O mercantilista prejudica, em segundo lugar, porque esbarra nos limites éticos da advocacia. A publicidade na advocacia está sujeita a restrições, que limitam as promessas, os apelos de captação e a mercantilização da profissão. A linguagem mercantilista, ao recorrer a esses apelos, esbarra nesses limites, e um site que adota essa linguagem arrisca não apenas a percepção do público, mas a adequação ética da sua comunicação. Esse risco ético é uma razão adicional, e particularmente séria, para evitar a linguagem mercantilista, porque ele não diz respeito apenas à eficácia da comunicação, mas à conformidade com as normas que regem a profissão. Um advogado que adota linguagem mercantilista no seu site arrisca questões que vão além da percepção, alcançando a adequação da sua conduta às normas profissionais.

O mercantilista prejudica, em terceiro lugar, porque substitui a substância pela promessa. A linguagem de venda tende a prometer resultados, a exagerar capacidades, a apelar para a emoção, em vez de comunicar a substância da atuação do advogado. Essa substituição da substância pela promessa empobrece a comunicação, porque o que constrói a confiança não é a promessa, mas a demonstração da substância. Um advogado que promete em vez de demonstrar comunica menos, não mais, porque a promessa é menos crível que a demonstração. O mercantilista, ao apostar na promessa, abre mão da demonstração que construiria a confiança, e por isso prejudica a comunicação mesmo quando escapa do genérico. A solução, portanto, não está em substituir o genérico pelo mercantilista, mas em encontrar a clareza responsável que escapa de ambos.

A clareza responsável como terceira via

A terceira via, que escapa tanto do genérico quanto do mercantilista, é a clareza responsável. Ela consiste em comunicar a atuação do advogado com precisão e especificidade, focando na forma como o advogado atua, sem recorrer a apelos de venda. A clareza responsável diferencia o advogado pela descrição honesta e específica da sua forma de atuação, e não por promessas ou superlativos. Ela respeita a inteligência do visitante, oferecendo-lhe informação real sobre o que o advogado faz e como o faz, em vez de tentar persuadi-lo com apelos. E respeita os limites éticos da profissão, comunicando com a seriedade que a advocacia exige, sem a mercantilização que as normas restringem. A clareza responsável é, assim, a linguagem que cumpre a função das páginas de serviço sem cair em nenhum dos dois extremos.

A clareza responsável tem uma virtude que nem o genérico nem o mercantilista têm, que é a de construir confiança. O genérico não constrói confiança porque não comunica nada de distintivo. O mercantilista não constrói confiança porque destoa da seriedade e substitui a substância pela promessa. A clareza responsável constrói confiança porque comunica a substância da atuação do advogado com precisão e seriedade, oferecendo ao visitante os elementos reais para compreender o que o advogado faz e para confiar nele. Essa construção de confiança é a função última das páginas de serviço, e a clareza responsável é a linguagem que a cumpre, porque ela comunica de forma que respeita tanto o visitante quanto a profissão, construindo a confiança que conduz o visitante do interesse ao contato.

A clareza responsável exige, porém, um trabalho que nem o genérico nem o mercantilista exigem. O genérico é fácil, porque basta descrever o serviço em termos amplos. O mercantilista é fácil, porque basta recorrer a apelos de venda. A clareza responsável é difícil, porque exige compreender com profundidade a forma de atuação do advogado e traduzi-la em uma descrição precisa, específica e honesta, que diferencie sem vender. Esse trabalho de compreensão e tradução é o que produz páginas de serviço que cumprem a sua função, e é por isso que a clareza responsável, embora seja a via mais exigente, é também a única que produz páginas de serviço efetivas. A terceira via não é um meio-termo confortável entre o genérico e o mercantilista, mas um caminho mais exigente que escapa de ambos pela qualidade da comunicação, e é essa qualidade que distingue as páginas de serviço que constroem confiança das que caem em um dos dois extremos.

Conclusão

Explicar a atuação na advocacia aprisiona muitos advogados entre dois extremos, o genérico, que não comunica nada de distintivo, e o mercantilista, que destoa da seriedade da profissão e esbarra nos seus limites éticos. O genérico falha porque descreve o serviço em si, que é semelhante entre os advogados, em vez da forma de atuação, que é específica. O mercantilista falha porque destoa da natureza da advocacia, esbarra nas restrições éticas da publicidade jurídica e substitui a substância que constrói confiança pela promessa que não convence. Nenhum dos dois extremos cumpre a função das páginas de serviço, que é comunicar o que o advogado oferece de modo que o visitante compreenda por que aquele profissional é o adequado à sua necessidade.

A solução está na clareza responsável, a terceira via que escapa de ambos os extremos. Ela comunica a atuação do advogado com precisão e especificidade, focando na forma como ele atua, sem recorrer a apelos de venda. Diferencia pela descrição honesta da forma de atuação, respeita a inteligência do visitante e os limites éticos da profissão, e constrói a confiança que conduz o visitante ao contato. A clareza responsável é a via mais exigente, porque demanda compreender a forma de atuação do advogado e traduzi-la em uma descrição precisa que diferencie sem vender, mas é a única que produz páginas de serviço efetivas. Ela não é um meio-termo confortável, mas um caminho de qualidade que escapa do genérico e do mercantilista pela substância da comunicação.

A NeuralLex desenvolve websites estratégicos para profissionais e organizações jurídicas que precisam comunicar a sua atuação com clareza responsável, escapando tanto do genérico quanto do mercantilista, e construindo, pela qualidade da comunicação, a confiança pública que respeita a inteligência do visitante e os limites éticos da advocacia.

A NeuralLex, sob responsabilidade técnica de Jamille Porto, desenvolve formações, diretrizes e soluções para organizações jurídicas que precisam incorporar Inteligência Artificial com método, governança, segurança e responsabilidade profissional.

Jamille Porto, fundadora da NeuralLex

Jamille Porto

FUNDADORA DA NEURALLEX

Advogada, professora, pesquisadora e fundadora da NeuralLex. Atua na interseção entre Direito, Inteligência Artificial e desenvolvimento de soluções tecnológicas para escritórios, universidades e instituições.

Conhecer a trajetória completa →